Mário Martins | Angola

Em abril de 2013 tive que deixar o meu “porto seguro” e vim para Angola, dando, assim, resposta a um desafio lançado pela administração da empresa onde trabalho, desde 2004, no ramo da construção e obras públicas. Inicialmente estava previsto ficar por Angola durante um ano, mas a verdade é que já passaram quase três anos e eu por cá continuo.

 

Chamo-me Mário Martins, nasci em Coimbra em 1979,  e aos quatro anos mudei-me com os meus pais para Ceira. Hoje, apesar da minha família estar na sua maioria no concelho de Soure, considero-me  100% Ceirense.

Durante estes trinta e poucos anos que vivi em Ceira, tive a felicidade de pertencer Agrupamento 309 e à Filarmónica de Ceira, onde encontrei grande parte dos meus amigos e onde recebi muito do que sou e acabei por me tornar mais Ceirense.IMG_1376

Em abril de 2013 tive que deixar o meu “porto seguro” e vim para Angola, dando, assim, resposta a um desafio lançado pela administração da empresa onde trabalho, desde 2004, no ramo da construção e obras públicas. Inicialmente estava previsto ficar por Angola durante um ano, mas a verdade é que já passaram quase três anos e eu por cá continuo. O mercado da construção em Portugal abrandou significativamente e as boas oportunidades passaram a estar além-fronteiras.

Em Angola tenho um estilo de vida completamente diferente do que tinha em Portugal, que se resume à minha atividade profissional e pouco mais. Aqui sou só eu comigo.

Hoje, as novas tecnologias permitem-nos estar em contacto diário com os familiares e amigos, mas este contacto distante é estranho e pouco intimo. Felizmente tenho oportunidade de me deslocar a Ceira com alguma frequência e, nos curtos períodos que aí estou, tento, dentro das possibilidades, procurar e estar com as minhas pessoas.

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Ao longo destes três anos Ceira não mudou muito, o que tem aspetos positivos e negativos. Negativamente, Ceira continua a ser vista como a freguesia que faz fronteira com a cidade de Coimbra e, como tal, para os nossos autarcas e governantes, não passa de um pequeno dormitório da cidade.

Recentemente fomos “presenteados” com a A13, um símbolo da “riqueza” e da “gestão criteriosa” do nosso país, que rasgou as encostas da nossa freguesia e colocou um colosso de betão sobre o bonito vale do Ceira, mas que, na verdade, não trouxe qualquer valor acrescentado para quem vive em Ceira. O nosso comboio foi-se e continua sem voltar, apesar do elevado investimento que já foi feito na suposta requalificação do ramal da Lousã. O lado positivo, e esse sim o mais importante, é que Ceira continua com um associativismo muito forte que envolve várias gerações de Ceirenses, nomeadamente os mais jovens. A dedicação de muitos Ceirenses aos outros e a Ceira continuam a ser a maior riqueza da nossa freguesia.

As principais mudanças que encontro em Ceira sempre que regresso ou que vou acompanhando à distância estão no meu “Ser Ceira”, ao ver as coisas acontecerem sem poder fazer parte delas, e no meu “Ver Ceira”, pelo valor que dou a algumas coisas que me passavam despercebidas quando aí estava todos os dias.

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